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quarta-feira, 27 de abril de 2011

Rolhas: Cortiça e Alternativas


Poucas pessoas pensam duas vezes antes de abrir uma garrafa de vinho. Por ter se tornado tão onipresente, parece desnecessário discutir o método de como abri-lo. Na realidade, os métodos são muitos e variados. Alguns mais simples outros parecem um show de malabarismo.

Tipos de rolhas e alternativas

A grande maioria das rolhas é feita da cortiça (casca do sobreiro), mas existem alternativas para a cortiça padrão, seja por motivos financeiros, ou pela busca da qualidade e da consistência.
Cortiça natural: constituída por um único pedaço de casca de cerca de 24mm de diâmetro, aproximadamente 6mm  mais larga que a parte interna do gargalo de garrafa, mantendo-se ajustada para que a rolha não resseque e contraia. Até hoje, a rolha de cortiça natural é insubstituível como elemento de vedação/respiração. Logo, básica ao se tratar de vinhos de guarda, geralmente tintos, que devem ser envelhecidos nas garrafas e que necessitam do oxigênio, fundamental para a redução dos taninos e formação do bouquet. Neste caso, as garrafas devem se mantidas deitadas para que o vinho, em contato com a rolha, a umedeça, impedindo sua retração que afetará uma vedação adequada.
Rolha aglomerada: feita de aglomerado de cortiça cujos minúsculos pedaços desperdiçados da casca são ligados entre si por colagem. São mais baratas e geralmente mais curtas permitindo também uma produção maior.
Rolha de champagne: ligeiramente maior (31mm) é feita de três peças de cortiça coladas. O cogumelo é feito de cortiça aglomerada e a base (parte que fica em contato com a bebida) compõe-se de dois discos de cortiça sólida. O formato de cogumelo serve para que o consumidor tenha uma boa “pega” no momento da abertura.
Há duas preocupações em relação ao uso da cortiça natural para vedar garrafas de vinho. A primeira é a contaminação fúngica que resulta em sabores e aromas de mofo e papelão molhado. Outro refere-se particularmente a rolhas de aglomerado, já que alguns provadores conseguem identificar aroma e gosto semelhante a cola. Além disto, o fato de serem produzidas a partir de muitas cascas diferentes aumenta a chance de contaminação por fungos. O número de garrafas contaminadas é cerca de 5%. Por isso, alguns produtores estão optando por métodos alternativos de fechamento. Os dois principais são: as rolhas sintéticas e as tampas de rosca.
As rolhas sintéticas tentam imitar as rolhas de cortiça natural. O debate sobre a eficácia deste método baseia-se no fato de que ainda não há provas que os vinhos engarrafados com este tipo de rolha envelheçam da mesma maneira que os vedados com as de cortiça natural. Outra preocupação é a velocidade com que estes vedantes tiram a proteção de teflon das espirais dos saca-rolhas. 
A tampa de rosca é um método extremamente eficiente de vedação de garrafas com qualquer tipo de líquido. Assim como no caso das rolhas sintéticas, não há provas sobre o envelhecimento de longo prazo, por isso são empregadas, na sua maioria, em vinhos de consumo mais rápido. Apesar da eficiência na vedação, em algumas garrafas podem surgir aromas e sabores de borracha.

Curiosidades sobre a rolha de cortiça:

-   O tamanho da rolha é variável. Quanto mais tempo um vinho precisa ser guardado, mais comprida será a rolha empregada.
-   Uma rolha dura no mínimo 2 anos e pode chegar aos 50.
-   O exame do topo da rolha é importante no processo de qualidade. Uma rolha limpa é sinal de engarrafamento recente. Com o passar dos anos, a rolha torna-se mais escura e sua superfície acumula resíduos e sedimentos. Em um vinho mais velho deve-se tomar cuidado para que a rolha não contenha vestígios de vazamento, sinal de contato com o ar.
-   A rolha de um vinho bem vedado abandona a garrafa de maneira sonora, ao ser extraída.

Algumas conclusões:

Nos vinhos de consumo rápido - curta duração na garrafa, comercializados a preços mais acessíveis - a rolha desempenha um papel limitado. Neste caso, começam a ser usados materiais alternativos: rolhas de cortiça conglomerada ou de plástico, com bons resultados. Para os vinhos longevos, destinados à guarda, a rolha de cortiça ainda não tem substituto à altura. Temos produtos diferentes, com utilidades específicas. 

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Vinho e Chocolate... pode dar certo?

A combinação dá o que falar, já que para uns é possível e para outros, impensável. Um toque importante, se você está a fim de tomar um vinho especial, melhor deixar o chocolate para outra ocasião. Um grande vinho não deve ser acompanhado por chocolate, o que não significa que um bom chocolate não possa ser acompanhado de vinho. O chocolate tende a sobrepor ao vinho, principalmente chocolates mais comerciais, mais doces e gordurosos. Algumas dicas podem ajudar na hora da harmonização. A primeira delas é procurar um chocolate de qualidade e de no mínimo 60% cacau. Quanto mais puro o chocolate, menos doce e por conseqüência a doçura do vinho se torna menos necessária. A medida que a quantidade de cacau diminui a doçura passa a ser essencial quando chegaremos a combinações mais imagináveis como com vinhos fortificados, caso dos vinhos do porto e os madeira, e na clássica combinação de chocolate com Banyuls.

Sugestões de harmonização para chocolates:

Chocolate mais leve: Porto Tawny ou madeira Malvasia doce
Chocolate 70% ou mais: Syrah reserva: frutas vermelhas maduras, ameixa e condimentos combinam com as sedutoras notas de baunilha e chocolate; Porto LBV com aroma frutado e corpo rico; Madeira malvasia doce.
Chocolate dark: Zinfandel ou Primitivo: A agradável experiência  de aromas intensos de frutas vermelhas mais escuras  (mirtilo, amora), canela e tostados do vinho combina com chocolate mais intenso.
Chocolate extra-dark (90% ou mais): vinhos mais jovens, encorpados como Syrah e até mesmo um Bordeaux, um toque de carvalho pode ser interessante e acrescentar mais complexidade à harmonização
Chocolate dark com frutas secas, como pistache: fica bem acompanhado com Porto Ruby outra possibilidade interessante seria um madeira Boal meio-doce
Chocolate com pimenta: Porto Ruby sedutor com sua riqueza de frutas vermelhas é acompanhamento perfeito para um chocolate doce e condimentado.
Fondue de chocolate com fruta fresca: Porto Vintage
Mousse de chocolate: fica uma delícia se acompanhada de um Porto Ruby bem frutado e um madeira mais doce como um bom malvasia

Aproveite, a Pascoa pode ser uma ótima oportunidade para novas experiências!!!
 
Porto LBV 2000 Quinta do Tedo 
Vinhedos classe A com mais de 40 anos, provenientes de um só milessime. 4 a 6 anos em tanques de carvalho francês de 7.000 litros. Cor rubi profundo com reflexos violeta. Nariz frutado e complexo com frutas pretas e vermelhas com toques de tabaco. Na boca, macio, generoso, encorpado com sabor de ameixas secas e cerejas pretas. Estruturado com taninos aveludados, intenso meio de boca, final longo e persistente.