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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Vigna Vitrilli Grande e a Poesia

Por Gilmara Vesolli, Sommelière da Casa do Vinho Famiglia Martini

Com certa frequência as pessoas perguntam porque escolhi a profissão de sommelière.

Costumava responder que está no meu sangue de descendente de italianos, que bebo vinho desde criança (ou “suco” de vinho: metade água, metade vinho e um pouquinho de açúcar até a infância passar e poder bebê-lo puro). 

Respondia que o vinho, por se tratar de um assunto infinito, por nos colocar no nosso devido e humilde lugar, por imanar cultura, me atrai imensamente.

Continua sendo tudo isso, claro. Mas agora eu posso resumir em uma frase apenas: sou sommelière por causa de vinhos como o Apollonio Vigna Vitrilli Grande 1997.

Nada do que provei até agora expressa tão bem o que o vinho me causa. O Vitrilli é uma entidade
Longevo, traz na memória 18 anos de um amadurecimento memorável e o equilíbrio que só um vinho estritamente bem feito pode ter.

Cada um dos seus incríveis 6 anos em barrica e mais um ano em garrafa o fizeram moldar um caráter único e uma inusitada capacidade de lembrar um Porto Vintage seco e um Amarone ao mesmo tempo.

O tempo fez com que não borras, mas coágulos de vinho se formassem; macios, comestíveis.

Os aromas desse vinho são compostos em camadas e mais camadas, infinitas.  Pode-se passar horas descobrindo seus sabores. E mais longos minutos com ele na boca.
Na memória ele dura para sempre, e deixa saudades.


Nunca foi tão sábia e apropriada a frase que diz que o vinho é poesia engarrafada. E nunca me senti tão feliz em ter escolhido uma profissão que me proporciona o prazer de beber essa poesia.


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