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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Como conseguir a harmonização perfeita?


Tipos de harmonização

Clássica ou regional: é aquela em que o prato é tradicionalmente servido com determinado tipo de vinho. Nesse caso a gastronomia local desenvolveu-se juntamente com o vinho do mesmo lugar.

Por similaridade ou simbiose: nesse tipo de harmonização são considerados elementos parecidos entre comida e vinho, como peso, corpo e estrutura.

Por contraposição: como o próprio nome diz, aqui os opostos se atraem, desde que haja equivalência.  Essa é a harmonização do queijo salgado com o vinho doce.
               
Como harmonizar

1- Identificação do tipo do prato: método de cocção, acompanhamentos, pontos da carne, aromas, texturas, peso. Isso tudo vai interferir diretamente na harmonização.

2- Sabor predominante.

3- Incompatibilidades. Procure identificar além do principal alimento, outros que o acompanham e podem causar incompatibilidade com o vinho que pretende escolher.

4- Escolha do tipo de harmonização.

5- Escolha do vinho. É preciso conhecer profundamente os vinhos para que a harmonização seja perfeita. Leve em conta, além da uva e região, a safra e estágio em madeira.

É importante lembrar que a harmonização não é dogma, mas gosto pessoal acima de qualquer "lei".

Harmonização Perfeita

Para os encantados com a harmonização perfeita, a prática é fundamental. E nesse caso praticar não é nenhum sacrifício.
O objetivo da harmonização perfeita é criar o conjunto tão sonhado de equilíbrio e sintonia, mas sem tédio! Devem advir daí também, novos sabores, aromas e aquela vontade súbita de ajoelhar. A tarefa não é fácil, mas seguir alguns parâmetros pode ajudar bastante.

Conhecimentos essenciais:

                - tipo, estilo, aspecto, aroma e gosto do vinho;

                - ingredientes, preparo, aspecto, aroma e gosto da comida;

                - elementos de um que acentuam ou atenuam as sensações do outro.

A harmonização acontece quando as estruturas estão equilibradas, com as sensações em harmonia, um enriquecendo o outro.



O primeiro é conhecer muito bem o vinho e a comida que serão harmonizados. Quais são os ingredientes, o modo de preparo, os aromas e sabores e os elementos que atenuam ou acentuam os sabores e sensações um do outro.

A estrutura da comida pode ser:

- Leve: pouco peso na boca, facilmente mastigável, pouco condimentada, rapidamente digerida. Ex.: saladas, legumes, sopas simples, suflês, arroz branco, batata cozida, peixe branco, peito de aves.

- Média: certo peso, razoável preenchimento da boca, digestão mais difícil. Ex.: sopas cremosas, ostras, patês picantes, feijão, aves, vitela, bacalhau, pizza, massas, peixes mais gordos, frutos do mar.

- Pesada: peso e plenitude na boca, mastigação repetida, digestão difícil e prolongada. Ex.: feijoada, aves de carne escura, carnes vermelhas, porco com molho forte, massa com cogumelo.

Vinho e comida semelhantes em corpo (peso,estrutura) estilo (rusticidade, tipicidade, elegância, etc) e sinergia (um melhorando o outro) vão se dar muito bem.

Harmonização cruzada

Estes são os princípios da harmonização cruzada. São fundamentais para se chegar à harmonização perfeita.

Doçura ATENUA Acidez (pense num suco de limão sem açúcar...)

Salgado ACENTUA Amargor (jiló com ou sem sal?)

Doçura ATENUA Amargor (queijo salgado com vinho doce)

Sal e Tanino são ANTAGÔNICOS (sal x vinho jovem dá briga)

Gordura ATENUA Acidez (torresmo com limão)

Acidez precisa ser IGUALADA

Taninos AJUSTAM untuosidade (vinho tinto com bacon)

Taninos AJUSTAM suculência (vinho tinto com filé alto)

Um excelente exemplo de harmonização perfeita é o torresmo com limão. Quando mordemos o torresmo, que é riquíssimo em gordura, a boca tende a empapar, uma vez que a gordura "entope" as células que produzem saliva. O limão faz exatamente o oposto, causando um incômodo ácido nas papilas gustativas, que faz com que elas liberem muita saliva para diluir o ácido.

Algo parecido (porém com menos intensidade) acontece com peixes e outras carnes brancas e vinho branco. O vinho branco é naturalmente mais ácido que o tinto e os peixes e carnes brancas de forma geral são mais secos, sem muitos sucos naturais. O princípio de harmonização que une carnes brancas com peixes brancos é parecido com o do torresmo com limão: a carne branca vai absorver toda a saliva deixando sua boca seca. Aí entra o vinho branco causando a inundação.

Calhou de a carne e o vinho terem a mesma cor, o que facilita a lembrança, mas incorre no erro da generalização. Muitas vezes um vinho tinto mais leve pode ir muito bem com peixes mais robustos como atum e também outros que podem ser preparados de forma que haja outros sabores em destaque, como molhos diversos ou cozidos ou assados de diversas carnes incluindo o peixe.

Os tintos, em geral, harmonizam com carnes vermelhas, e há também ótimas explicações para isso.
Por serem mais robustos que os brancos, os tintos tendem a se assemelhar em peso às carnes vermelhas. Outra razão são os taninos presentes no vinho tinto.

Tanino é uma substância que existe em praticamente todas as plantas, em seus troncos, folhas, gavinhas, casca e sementes das uvas e partes lenhosas das plantas em geral. Não sabemos disso porque não saímos por aí mordendo árvores, mas se o fizermos ficaremos com a boca seca e áspera, lembrando o sabor de caqui ou banana verdes.

Essa sensação de aspereza e ressecamento casa perfeitamente bem com os sucos naturais das carnes vermelhas mal passadas. Aqui acontece o oposto às carnes brancas com vinhos brancos: que inunda a boca é a carne e o vinho vem para secá-la.

Escolhendo o vinho

Quadro memorizador:

1 – escolha em função do peso da comida
2 – de acordo com a necessidade de acidez ou taninos
3 – de acordo com a intensidade aromática da comida
4 – a comida requer ou não doçura no vinho
5 – aumento de frescor e ajuste de hálito
6 – se a comida requer mais ou menos álcool

Fonte: Harmonização o livro definitivo do casamento do vinho com a comida. Euclides Penedo Borges


quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Chico Buarque e a Complexidade do Vinho

Por Gilmara Vesolli, sommelière da Casa do Vinho Famiglia Martini

Lembro da  primeira vez que ouvi Chico Buarque. Eram os anos 80 e eu era uma jovem idealista como só os jovens dessa década puderam ser. Construção caiu sobre mim como um tijolo.

Liguei para a rádio para saber quem cantava aquela tragédia de forma tão impactante. Nunca mais deixei de ouvir. Para mim, Chico é um gênio como poucos. Geniais também são os arranjos que dão vida às músicas de Chico. E não é qualquer vida. Ele sabe como ninguém desnudar o ser humano, expor feridas sociais (Deus lhe Pague), dores (Atrás da Porta), injustiças (Funeral de um Lavrador) amódio (Uma Canção Desnaturada), omissões (Geni e o Zepellin) e mágoas (Palavra de Mulher) de uma forma terrivelmente tocante. Não é fácil ouvir o que Chico Buarque diz. Ele expõe as cruezas de uma forma tão bela que é impossível desviar o olhar. Tampouco olhar. 

Não foram poucas as vezes em que citei Chico Buarque para explicar um vinho. E isso foi feito de maneira tão embaralhada que possivelmente meus interlocutores acabaram mais confusos que antes da explicação. Até que um belo dia Chico deu-me a luz. 

Seria melhor introduzir a ideia e deixar que as pessoas percebessem por si mesmas o que determinado vinho tem a ver com certa música. Entendi que para explicar o conceito de complexidade do vinho eu poderia usar uma das mais bem feitas músicas do Chico Buarque. Não poderia ter dado mais certo. Aquele conceito tão vago passa a fazer todo o sentido quando ligamos uma coisa à outra.

Um vinho complexo é um vinho equilibrado, mas não apenas isso. Ele vai-se revelando aos poucos, vai crescendo na taça. Não é plano, mas vai mostrando outras dimensões. Não é simples, mas é incrivelmente agradável. Tem camadas e mais camadas de aromas e eles duram aquilo que parece ser uma eternidade. Não chega dizendo a que veio, embora sua presença seja marcante. Despe-se aos poucos. E uma vez bebido, é impossível de ser esquecido. Tal qual Mambembe.












quinta-feira, 16 de julho de 2015

Momentos... Vinhos...

Às vezes, temos vontade de tomar um vinho, mas sem nos preocuparmos com comida, harmonização, etc. Nem ao menos sabemos ao certo se vamos mesmo comer algo. A única certeza mesmo é que a pedida é um bom vinho! Pois então, que vinho tomar? Dá pra especular alguma só levando em base o momento? Bom, vamos tentar...






quinta-feira, 9 de abril de 2015

Sobraram Ovos de Páscoa? Harmonize!

A Páscoa passou e ainda deve ter muita gente carregada chocolate em casa. Então, vamos aproveitar para falar de um vinho que combina super bem com chocolate: o vinho do Porto.

O vinho do Porto é diferente dos vinhos de mesa porque durante o processo de fermentação é acrescentada aguardente vínica. Este processo vai interromper a fermentação antes que todo o açúcar do mosto tenha sido transformado em álcool. Por isso os Portos são mais doces e alcoólicos que os vinhos tradicionais.

Existem diferentes tipos de Porto:

O Porto Tawny é aquele de coloração mais alaranjada. Sua cor é assim porque ele é mais oxidado. Um Tawny passa no mínimo três anos em barris de carvalho, de aproximadamente 600 litros, podendo chegar a 40 anos. Os Tawny são excelentes aperitivos, mas os mais velhos são ótimos digestivos.

O Porto branco é feito exclusivamente de uvas brancas e pode ser seco ou doce. O mais seco é muito usado em drinks. Em geral são excelentes aperitivos.

O Porto rosé é uma criação mais recente. São doces, frutados e fáceis. Ficam deliciosos em drinks (veja essa)

Os mais conhecidos são os Ruby. Estes são os de coloração mais intensa e sabor mais frutado, pois são menos oxidados. Envelhecem de três a seis anos em grandes (+ de 20.000 litros) toneis de carvalho. Foram feitos para serem consumidos jovens e ficam deliciosos com sobremesas, chocolates e queijos.

Os mais cobiçados são os Vintage. Um Vintage é produzido apenas em anos excepcionais. São riquíssimos em aromas e sabores. Extremamente frutados e potentes, tornam-se muito complexos e elegantes com a idade. Os Vintage ficam apenas dois anos em grandes tonéis de carvalho e são os únicos que evoluem na garrafa.

O LBV é originalmente um Vintage que não alcançou os padrões excepcionais da classificação. Sendo assim, o vinho é deixado por mais tempo nos toneis e é engarrafado entre o 4° e o 6° ano. Daí o nome LBV (Late Bottled Vintage).

Deu vontade?  Aproveite para conhecer nossos néctares da Quinta do Tedo:



quarta-feira, 9 de abril de 2014

Harmonização e Bacalhau

Por Luiza Martini, proprietária da Casa do Vinho – Famiglia Martini

A quaresma está aí e muitas pessoas aproveitam para preparar um delicioso prato de bacalhau. A harmonização de bacalhau é controversa apesar de aceitar vinhos brancos, roses e tintos, desde que bem escolhidos. No final das contas, acaba sendo uma questão de preferência. A minha é pelos brancos encorpados e com passagem pela madeira. Principalmente se for bacalhau em postas largas com batatas, cebolas, alho e muito azeite. Mas, caso a sua preferência seja pelo tinto, procure optar por vinhos mais macios, sem taninos uma vez que o sal e o tanino não se dão bem e o resultado pode ser um gosto metalizado. Uma boa opção são os da uva Pinot Noir.


Seguem algumas sugestões de harmonização para diferentes formas de preparo do Bacalhau, encontre a sua favorita e aproveite!!

Brandade de Bacalhau fica deliciosa com vinhos mais frutados e pouco tânicos como a combinação de Syrah com Grenache do Languedoc Château Camplazens La Garrigue. Se quiser dar uma sofisticada na receita use azeite trufado na finalização, aí fica irresistível um Barbera d’Alba LaCa Növa elegante, intenso e bem equilibrado.





 Bacalhau na brasa pede um vinho branco equilibrado, intenso, fresco, crocante, gordo, mas com certa mineralidade. Les Faîtières Riesling Grand Cru 
         
                







Bacalhau com natas fica maravilhoso com um branco reserva, o estágio em barricas de carvalho confere mais untuosidade ao vinho, deixando-o mais gordo na boca e com leve tostado. Sugestão: Apollonio Laicale  Chardonnay 

              



Bacalhau desfiado também fica muito gostoso com tintos macios, aproveite a harmonização regional, vinhos portugueses do Dão são ótimas opções assim como os vinhos do Douro (não reserva). Sugestão: Dão Cabeço do Mocho; Bafarela Colheita. 




quarta-feira, 2 de abril de 2014

Bacalhau - Dicas do Chef Gabriel Carvalho

Dicas do Chef Gabriel Carvalho

Chegamos em Abril, logo mais vem a Semana Santa. Tradicionalmente, é hora de pensar em se deliciar com o bacalhau. Pegamos algumas dicas preciosas do nosso amigo chef Gabriel Carvalho, do restaurante Sapore d’Itália (http://www.saporeditalia.com.br/). Se tiverem alguma dúvida, podem ligar direto para ele! (31) 9941-5592, podem ligar de 12 às 22 horas, sem constrangimento e a consulta é gratuita!

Qual bacalhau comprar?
Gadus Morhua, também chamado de Porto ou Cod, macroceaphalus ou saithe. O melhor é o Morhua. Salgado ou dessalgado.

Bacalhau in natura salgado - dicas de como dessalgar
Bacalhau salgado in natura
Antes de dessalgar, tirar a pele enquanto o bacalhau ainda estiver seco. É mais fácil. É só puxar por uma ponta.

Postas altas
Dê um banho na peça de bacalhau até sair todo o sal superficial. Isso é feito em água corrente. Cortar os lombos no tamanho desejado.

Dessalgando
Coloque as postas já cortadas, no tamanho desejado, dentro de uma vasilha e cubra com água fresca. Deixe em lugar fresco e troque a água sempre que lembrar, cerca de 6 a 8 vezes por dia. À noite, troque novamente a água e coloque a vasilha no freezer ou na geladeira.
Quando tiramos o sal do bacalhau, estamos tirando sua proteção. Por isso levamos ao freezer ou geladeira.

Trocar a água num período de 40 horas e testar o sal. Você pode testar o sal introduzindo o dedo pelo lado onde você cortou a peça. Vá até o meio da peça e prove. Se o sal estiver no seu gosto, está pronto. Se ainda estiver salgado, continuar dessalgando por mais 10 horas e assim por diante, até que fique com o sal perfeito.
Peças muito altas e grandes pedem até 70 horas de dessalga para ficar com o sal perfeito.

Quanto comprar por pessoa?
Dessalgado: 250 g
Salgado: 200 g

Onde comprar um bom bacalhau?

Direto do distribuidor do importador . Sugestão: Restaurante Sapore D’Itália -  saporeditaliaweb@gmail.com (R$ 68,00 o kg, já dessalgado e pronto p/ fazer)

Preço médio do bacalhau Gadus Morhua postas altas na praça.
Dessalgado - 78,00 o kg
Salgado - entre 89,00 e 130,00 o kg

Bacalhau comprado já dessalgado
O bacalhau dessalgado, em postas altas, vendido em supermercados, na maioria das vezes, ainda está um pouco mais salgado do que o desejado.
Neste caso, coloque as postas de bacalhau ainda congeladas em uma vasilha e cubra com água fria. Troque a água sempre que lembrar, pelo menos 4 vezes ao dia. À noite, troque a última água e ponha a vasilha com o bacalhau coberto de água fresca no freezer ou geladeira até o dia seguinte. Agora o bacalhau está pronto para ser cozido.

Postas baixas e pequenas
Já estão prontas para fazer. Sal no ponto certo.

3 receitas do chef para preparar um bom bacalhau

Bacalhau no saco

bacalhau no saco com ervas e azeite

Veja a receita passo a passo com fotos no site do Sapore d’Itália  www.saporeditalia.com.br -  postagem 2 do blog. Link direto: http://www.saporeditalia.com.br/2013/11/06/receita-de-lombo-de-bacalhau-a-italiana-em-duas-coccoes/

Bacalhau grelhado na panela
Azeite
Postas de bacalhau
Grelhar o bacalhau dos dois lados. Baixar o fogo e deixar cozinhar por 5 minutos. Levar ao forno para gratinar até dourar.

Bacalhau ao forno
Regue o bacalhau com bastante azeite. Coloque batatas em volta do bacalhau no mesmo refratário. Asse por 15 minutos ou até o bacalhau dourar e as batatas ficarem prontas.

Sugestões de acompanhamentos
Batata sautèe, ao murro, purê, batatas cozidas, assadas, brócolis, azeitonas, cebola em rodelas salteada, legumes, etc.

Sugestões de harmonização:



  

Château Rives Blanques Odyssée Chardonnay 2011 

Região: Languedoc/Limoux
Uvas: 100% Chardonnay
Uvas colhidas à mão dos melhores vinhedos. Sem dúvida está entre os melhores de Limoux. Maduro, amanteigado e jovem, com frutas frescas. O carvalho é bem integrado e sutil.  "A safra 2011 é o ano de Limoux" diz a Revue du Vin de France, a mais respeitada revista de vinhos da frança. Um branco deslumbrante, com excelente equilíbrio com várias camadas de aromas e sabores. Uma nota expressiva de flor branca, maçã vermelha madura e nectarina. O paladar de bom corpo é ligeiramente cremoso, mas não exagerado, com toques de tostado, especiarias doces e com sabor de amêndoa no final de boca.
Teor alcoólico: 14°





sexta-feira, 28 de março de 2014

Evento na Cosh

Dia 25 de março foi um dia para falar de vinhos e de moda.
Combinação inusitada? Que nada! Foi uma harmonização perfeita!
A Cosh, loja de roupas de festa de altíssimo nível apresentou sua coleção inverno de maneira criativa: fizemos um curso nada chato sobre Técnicas de Degustação.
As convidadas se divertiram vendando os olhos e experimentando texturas, aromas e pesos diferentes. Aprenderam sobre vinho de forma lúdica e divertida, sem teoria em demasia, mas com muitas brincadeiras.
Abaixo, algumas fotos do evento que foi um sucesso.


Olha a inspiração nos tons de vinho!

Máscaras feitas com os tecidos da coleção





Luiza (Casa do Vinho), Teresa (Cosh) e Gil (Casa do Vinho)

Os vinhos da noite:



Para abrir a degustação, Apollonio Dicioto Fanali Rosé 2011. Mas não estou falando de qualquer rosé. Esse é um rosado sério, com um lindo tom alaranjado, produzido pelo Apollonio, um produtor da região da Puglia, na Itália, que só faz vinhos muito, muito originais.
Ele é 100% da uva Negroamaro e passa 12 meses em barricas de Acácia, não de carvalho. Isso é que lhe dá o tom alaranjado.
Definitivamente, esse não é um vinho para beber na beira da piscina. Tem estrutura e acidez que pedem comida. Acompanha desde mariscos, até carnes brancas e peixes assados. 
Vinhos alaranjados estão na moda e esse é o melhor dos exemplares!
(R$65,00)

Depois veio o Bafarela Colheita 2010, um português da região do Douro, sem madeira, elegante, com deliciosos aromas de frutas vermelhas. As convidadas puderam aprender na prática com ele sobre os taninos, presentes nesse vinho de boa estrutura feito das tradicionais castas portuguesas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Barroca. Agradou em cheio!
(R$55,00)

Para encerrar a noite veio o Vigneto Fracia 2009. Esse vinho é feito por Nino Negri, um produtor premiadíssimo da região da Lombardia. 

A uva é a mesma do Barolo, a Nebbiolo, porém é colhida tardiamente, o que faz com que ela quase passifique no pé. Não bastasse isso o vinho estagia 15 meses em carvalho e passa mais 6 meses por afinamento em garrafa. O resultado? Um vinho incrivelmente envolvente, com aromas escandalosamente gostosos. Na boca ele é untuoso, seco, quente, e persistente ao extremo. Sim, todas agradecemos à vida depois de beber esse vinho...
(R$138,00)

Para comprar os vinhos dessa degustação

Você também pode proporcionar aos seus clientes uma noite agradável de degustação com excelentes vinhos. Fale conosco!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Harmonização de forma esquemática - Final

  • Escolhendo o vinho
      * Quadro memorizador

1 – estrutura          leve              bom corpo      encorpado
2- cor                    branco         rosado           tinto____
3- aromas              normal          aromático       perfumado
4 – doçura              seco            suave            doce_____
5 – idade               jovem            maduro         envelhecido
6 – efervescência    tranqüilo        frisante         espumante
7 – vinificação        padrão           alcoólico        fortificado_


1 – escolha em função do peso da comida
2 – de acordo com a necessidade de acidez ou de taninos
3 – de acordo com a intensidade aromática da comida
4 – se a comida requer ou não doçura no vinho
5 – de acordo com a quantidade de acidez e tanicidade, lembrando que diminuem com a idade
6 – necessiade de aumento de frescor e ajuste de hálito
7 – se a comida requer mais ou menos álcool

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Harmonização de forma esquemática - parte III

Vinhos
  • Características         
      - estrutura/corpo
      - sensações → olfato/paladar/tato
      - possibilidade de realçar o gosto da bebida
        
 * Estrutura: sensações de plenitude   
       - leves
       - médio corpo
       - encorpados

 * Sensações:
        - aroma     - intensidade → ataque
                        - qualidade → complexidade / nº de aromas
                        - persistência → tempo

        - maciez = facilidade de engolir

        - frescor / efervescência   
               - acidez → salivação → frescor
               - efervescência → gás

        - calidez / adstringência           
               - álcool → calor
               - tanino → secura

Harmonização

         - Equilíbrio das estruturas:  corpo do vinho ↔ peso do prato
         - harmonia → ajuste das sensações → princípios da harmonização cruzada

Princípios da harmonização cruzada:

- DOÇURA ATENUA ACIDEZ
- SALGADO ATENUA AMARGOR
- DOÇURA ATENUA AMARGOR
- DOÇURA ATENUA SALGADO
- SAL E TANINO SÃO ANTAGÔNICOS (sal x vinho jovem)
- GORDURA ATENUA ACIDEZ (ostra com brancos)
- ACIDEZ PRECISA SER IGUALADA
- TANINOS AJUSTAM UNTUOSIDADE (tinto com bacon)
- TANINOS AJUSTAM SUCULÊNCIA (tinto com filé alto)

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Harmonização de forma esquemática - parte II

Comidas
  • Propriedades:
             -  estrutura/peso
              - sensações → olfato/paladar/tato
              - possibilidade de realçar o gosto da bebida 

  * Estrutura:

- Leves: pouco peso na boca, facilmente mastigável, pouco condimentada, rapidamente digerida. Ex.: saladas, legumes, sopas simples, suflês, arroz branco, batata cozida, peixe branco, peito de aves.

- Média: certo peso, razoável preenchimento da boca, digestão mais difícil. Ex.: sopas cremosas, ostras, patês picantes, feijão, aves, vitela, bacalhau, pizza, massas, peixes mais gordos, frutos do mar.

- Pesadas: peso e plenitude na boca, mastigação repetida, digestão difícil e prolongada. Ex.: feijoada, aves de carne escura, carnes vermelhas, porco com molho forte, massa com cogumelo.

 * Sensações:
      - Nível de sabor:      
   - salgado (atenuado com sabor doce / acentuado com amargor)
   - acidez    (atenuado com sabor doce)
   - amargor (atenuado com sabor doce / acentuado com sal)
   - doçura
      - Condimentação – aromas e sabores geralmente picantes
       - Gordurosidade – quantidade de gordura      
                   - carnes, molhos 
                       - camarões, lagostas, porco, caças (não aparentes)
       - Suculência – presença de ingredientes líquidos (sangue, molhos e óleos) e untuosidade da gordura derretida.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Harmonização de forma esquemática - parte I


Para se atingir o entrosamento (quando o sabor da comida e gosto da bebida se fundem em harmonia) é necessário seguir princípios, regras e diretrizes.

Valorização do conjunto vinho/comida
  •  Conhecimentos essenciais:



 - tipo, estilo, aspecto, aroma e gosto do vinho;
 - ingredientes, preparo, aspecto, aroma e gosto da comida;
     - elementos de um que acentuam ou atenuam as sensações do outro.

                    EQUILIBRIO (objetivo)



    /\
  /    \
                              /        \
                            /            \
                          /                \
                  REALCE  - - - - -  HARMONIA
           (muito subjetivo)         (subjetivo)

* Razões pelas quais alguns vinhos se ajustam a determinados pratos:

   
- atributos similares de estrutura (corpo) e sensações (gosto)
     - sinergia → melhoram-se mutuamente
     - tipicidade (vinho rústico → comida mais simples, etc.)

* a combinação: vinho branco para carnes brancas e tintos para carnes vermelhas se baseia no fato:



- acidez dos brancos supre a falta de suculência das carnes brancas provocando salivação           
     - secura dos taninos equilibra a suculência das carnes vermelhas

Em breve receitas e sugestões de harmonização

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Harmonização - parte 2

Continuando o assunto harmonização, depois de equilibrar peso do prato e corpo do vinho, chega a hora de equilibrar as sensações entre os dois. Quando se entende o princípio da adaptação cruzada, fica mais fácil harmonizar.

Algumas regras básicas:
- A doçura atenua a acidez, o amargor e o sabor salgado
- O sabor salgado acentua o amargor
- Sal e tanino não combinam
- Gordura ameniza a sensação ácida
- Acidez precisa ser igualada
- Taninos ajustam untuosidade e suculência

Com estes princípios em mente, é possível tanto escolher o vinho a partir da comida, quanto escolher a comida a partir do vinho. Ou seja, conhecendo os atributos de cada um, é possível equilibrar as sensações e estruturas.

Isso pode ser aplicado em outras sensações, como uma comida aromática pedirá um vinho também aromático e uma comida preparada com especiarias deve ser acompanhada de um vinho com intensidade e persistência olfativa.

Amanhã falaremos sobre realce do gosto da comida e do vinho através da harmonização.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Harmonização - parte 1


Hoje vamos começar a falar sobre harmonização entre vinho e comida. Este é um assunto que dá muito pano para manga. Existem combinações clássicas, como caviar com champagne, mas, fora estas, a harmonização pode se tornar um divertido jogo de entendimento e conhecimento, tanto dos pratos quanto dos vinhos.

Existem três fatores principais que devem ser levados em conta para o sucesso na harmonização:
- Peso da comida X Corpo do vinho
- Sensações da comida X Sensações do vinho
- E a melhoria simultânea do gosto da comida e do vinho

Como o assunto é extenso, neste post vamos tratar do primeiro item, que é o equilíbrio das estruturas. O corpo do vinho tem que estar equilibrado com o peso do prato e vice-versa, ou seja, um não pode sobrepor ao outro.

De forma simples, podemos dizer que uma comida leve pede um vinho leve e assim por diante. Vamos a um exemplo: um vinho encorpado ajusta-se com uma comida pesada, gordurosa, de digestão longa e mastigação repetida (carne de caça com shiraz australiano e cordeiro com bordeaux).

E como em toda regra há exceção, essa não poderia ser diferente. Em algumas situações particulares, o desequilíbrio pode oferecer a harmonização. A exuberância de um prato pode ser atenuada pela discrição de um vinho leve. Este contraste permite que o equilíbrio geral se mantenha.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Appolonio Salice Salentino


Apesar de ainda ter coisas para contar sobre a Vinhofest, a mostra nos deu uma idéia de dica para o blog: o vinho Appolonio Salice Salentino. Isto porque, entre a nossa seleção de vinhos para o evento, alguns dos mais procurados e comentados pelos visitantes eram os rótulos da conceituada vinícola Appolonio (Lecce, Itália).

Na taça, ele apresenta coloração vermelho rubi, com perfume vinoso. Na boca, ele é seco, harmônico, encorpado e estruturado. E como não é um vinho filtrado, o ideal é que ele seja decantado.

Dica de harmonização: pratos com molhos de carne, assados, queijo de cabra, embutidos e presunto.

Segundo avaliação do Robert Parker, “é um estilo moderno de Salice, exibindo um excelente fruto amora e frutos vermelhos assim como terra queimada e alcatrão. 'Mastigável', rústico, denso na boca com boa pureza. Para ser bebido nos próximos 2 ou 3 anos. Engarrafado sem filtragem. Definitivamente deve ser provado”.

RP: 85 pts
Uva: Negroamaro
Graduação alcoólica: 13,5%