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quarta-feira, 1 de abril de 2015

Um Ano na Borgonha

por Gilmara Vesolli - sommelière da Casa do Vinho Famiglia Martini


"Um ano com as pessoas que fazem vinho como em nennhum outro lugar do mundo"

Não, infelizmente esse post não se trata de um anúncio. Não estou indo passar um ano na Borgonha. Trata-se um novo documentário sobre vinho que estreou na Netflix: A Year in Burgundy.

A encantadora Martine Saunier, francesa radicada nos EUA, pouco conhecida no Brasil, mas muito nos Estados Unidos, produziu esse documentário que foi dirigido pelo americano David Kennard.



O filme a acompanha nas visitas aos produtores que importa. 
Acompanhamos as 4 estações do ano de 2011 e as dificuldades comuns aos viticultores ao longo do ano e suas degustações e conversas com os produtores.
Talvez por se tratar de um filme feito por uma mulher, traga também outras mulheres durante o seu desenrolar. Achei isso particularmente interessante.


Senti também todas as agruras pelas quais passam os vignerons, bem como sua felicidade, preocupação e empenho em dar o melhor de si na melhor região vinícola do mundo. Vendo os pequenos terrenos mostrados no filme foi possível entender de fato o quão minúsculo pode ser o vinhedo de um grande vinho e passei a respeitá-los ainda mais.

É um filme que merece ser visto com a mesma atenção com que se degusta um Borgonha. Pode-se inclusive fazer as duas coisas ao mesmo tempo, pra não dar água na boca. O que não dá é para deixar de ter vontade de fazer as malas e partir...


Para acompanhar:









quinta-feira, 3 de julho de 2014

Mitos, Mentiras e Verdades Sobre Vinho – parte 2 de 2

Por: Gilmara Vesolli, sommelière da Casa do Vinho Famiglia Martini

Uma inverdade um pouco mais recente diz que uvas ruins não produzem vinho bom. Com a tecnologia que a enologia possui hoje em dia isso é possível, sim. O vinho se transforma graças ao uso da Osmose Reversa e leveduras, principalmente.

A Osmose Reversa é feita com uma máquina caríssima, usada normalmente em grandes vinícolas que produzem vinhos mais baratos e em grande quantidade. Submeter o vinho a uma osmose seria diluí-lo. A Osmose Reversa concentra-o ou tira parte do seu álcool.
A falha que ocorreu na maturação da uva (pouca ou muita, resultando em mosto diluído ou excesso de açúcares que gerarão muito álcool) é compensada através da Osmose Reversa. O engenheiro que criou a máquina Vinovation (na Califórnia, no final dos anos 80) Clark Smith, foi apelidado de Dr. Frankenwine. Clark Smith declarou em entrevistas que há centenas de vinícolas ao redor do mundo usando sua máquina. Mas jamais revelou o nome dos seus clientes.

As leveduras são pequenos seres vivos responsáveis pela fermentação. Existem diversas famílias de leveduras que produzem iogurtes, pães, cerveja e vinho, e outras que azedam, apodrecem e deterioram. A ciência e a enologia ocuparam-se em separar umas das outras e criar em laboratório leveduras específicas para cada tipo de uva ou vinho. Continuou evoluindo ao ponto de hoje em dia uma vinícola ser capaz de transformar completamente a uva a depender da levedura escolhida. Pode-se criar vinhos mais ou menos frutados, com aromas específicos ou da moda, por exemplo. E também é possível fazer coisas ainda mais drásticas como transformar uma uva grega em um vinho com características típicas do Chile.


Há uma enorme discussão a respeito desses métodos. Muitos condenam, outros acham ser necessário ou inevitável e alguns aceitam como natural. Qual é a sua opinião a respeito? Deixe um comentário!


Como não temos nenhum vinho fruto de osmose reversa para indicar, nossa sugestão fica com esses vinhos bons por natureza:

A Mas du Solleila preza pela pouca interferência no momento da transformação da uva em vinho. Todo o cuidado vai para a videira, bem como a natureza. O produtor, enólogo e engenheiro agrônomo Peter Wildboz, está usando cada vez menos o carvalho.  Seu objetivo é substituir barricas por 'ovos' de concreto para eliminar o sabor da madeira. Ele acredita que suas uvas geram por si um vinho tão perfeito que seria um pecado alterar seu sabor. Concordamos com Peter!

 

terça-feira, 19 de março de 2013

Chocolate e Vinho



A Páscoa está chegando e a hora não poderia ser mais apropriada para este post. É possível harmonizar vinho e chocolate? Antes de responder a esta pergunta, uma curiosidade: a semente do cacau e o vinho são fermentados com o mesmo tipo de levedura, não é a toa que ambos têm tantos admirados em comum! Voltando a pergunta, podemos dizer que muitas harmonizações dão errado porque o chocolate e o vinho acabam brigando pelo mesmo ‘espaço’ no paladar, mas felizmente algumas dão certo...e como!!!

Vamos repetir algumas sugestões já publicadas em nosso post de abril de 2011 e acrescentar mais algumas opções. Escolha e aproveite!

Chocolate mais leve: Quinta do tedo Porto Tawny ou madeira Madeira Barbeito Malvasia 5 anos doce.
Chocolate 70% ou mais: Camplazens Syrah: frutas vermelhas maduras, ameixa e condimentos combinam com as sedutoras notas de baunilha e chocolate; Porto LBV com aroma frutado e corpo rico; Madeira Barbeito Malvasia 10 anos doce.
Chocolate dark: Zinfandel ou Apollonio Primitivo: A agradável experiência  de aromas intensos de frutas vermelhas mais escuras  (mirtilo, amora), canela e tostados do vinho combina com chocolate mais intenso.
Chocolate extra-dark (90% ou mais): vinhos mais jovens, encorpados como Camplazens Syrah e até mesmo um Bordeaux, um toque de carvalho também pode ser interessante e acrescentar mais complexidade à harmonização.
Chocolate dark com frutas secas, como pistache: fica bem acompanhado com Calém Porto Ruby outra possibilidade interessante seria um Madeira Barbeito 5 anos Boal meio-doce.
Chocolate com pimenta: Calem Porto Ruby sedutor com sua riqueza de frutas vermelhas é acompanhamento perfeito para um chocolate doce e condimentado.
Fondue de chocolate com fruta fresca: Quinta do Tedo Porto Vintage 2004.

Mousse de chocolate: fica uma delícia se acompanhada de um Emina OxTO (Oporto) bem frutado e um madeira mais doce como o delicioso Barbeito Malvasia 5 anos.

Chocolate branco: na realidade não é chocolate, pois não leva cacau, apenas a gordura dele e é essa gordura que o deixa mais versátil quando se trata de harmonização. Sugestão: Muscat San Jean de Minervoix, Quinta do Tedo Porto Vintage 2004 e Porto Rosé (em breve estaremos recebendo esta deliciosa novidade!).

Chocolate ao leite com caramelo: o caramelo acrescenta uma ‘doce salinidade’ ao chocolate. É um equilíbrio entre doce, salgado, gordura e amargor. A harmonização pode ser feita por equivalência com Vino Santo, Madeira e Porto Tawny.  

Uma super dica pra quem quer experimentar um vinho diferente, perfeito para harmonizar com chocolate principalmente os com mais cacau: Vinho de cereja ácida - Visciole

Visciole, um vinho de sobremesa apaixonante, intrigante e tentador, com certeza diferente de tudo que você já tomou!

No passado, vinho de cereja ácida era usado para deixar mais prazerosos os vinhos robustos e tânicos. Posteriormente este vinho foi considerado como um vinho feminino, com seu aroma, maciez e redondeza. Hoje é considerado como um vinho de meditação, para ser saboreado na companhia de alguém, redescobrindo gostos perdidos. A tradição da região do Marche de aromatizar vinho vem desde a idade média, através da sabedoria dos agricultores, e sobreviveu até hoje. O ingrediente básico para vino di visciole é cereja ácida (visciola), uma espécie de cereja selvagem antiga, de cor vermelho escuro e ligeiramente ácida. Com base na receita tradicional, cerejas ácidas são colhidas e deixadas de molho no açúcar, em parte inteiras e outra parte esmagadas. Este produto é então decantado por alguns dias e finalmente filtrado, resultando num xarope com uma alta concentração de açúcar, que é então misturado com vinho. Isso desencadeia um processo de refermentação, combinando as duas identidades diferentes (vinho e calda). A fermentação para quando um teor alcoólico atinge 14% e o açúcar residual torna este produto extremamente agradável.  


Velenosi Visciole

Região: Marche/Itália. Uva: Lacrima di Morro d’Alba + licor de cerejas ácidas. Bouquet intensamente prazeroso. Sensuais e persistentes morangos, framboesa, frutos silvestres maduros, aromas de compotas, pêssego e pêra madura. Muito macio na boca, altamente persistente sem perder o frescor. Fascinante, bom corpo, bom sabor e acidez, bem equilibrado. Estimula seu paladar, notas de frutos silvestres frescos e maduros, flores, mirtilo, cerejas. Imperdível quando acompanhado de bombom de cereja.

Para comprar as opções sugeridas clique:


sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Para escolher seu vinho preferido - parte II

Tanicidade

Tanino: Característica de vinho tinto ainda muito incompreendida.
O tanino é freqüentemente confundido com nível de secura porque o tanino seca sua boca. Quais são os taninos dos vinhos? Tanino no vinho é a presença de compostos fenólicos que adicionam certo amargor. Estes compostos são encontrados nas cascas e sementes das uvas e também podem ser provenientes do carvalho usado no envelhecimento.
Qual o sabor do tanino? Imagine colocar um saco de chá preto usado na sua língua. Um saquinho de chá molhado é praticamente puro tanino, que é amargo e provoca sensação de secura. Tanino tem gostos herbáceos e é muitas vezes descrito como adstringente. Apesar todos esses descritores soarem muito negativos, tanino adiciona complexidade, estrutura e faz com que um vinho possa durar mais tempo.
Como será o gosto de um vinho de taninos agressivos?
    Sabor amargo na frente dentro de sua boca e no lado de sua língua.
    Tanino faz secar a sua língua.
    Depois de engolir você sentir uma sensação seca persistente na boca.

Geralmente vinhos mais jovens e sem barrica são mais tânicos, já que os taninos do carvalho são geralmente mais “doces”. Algumas uvas também tendem a ser mais tânicas como a Tannat, a Cabernet Sauvignon e a Syrah. 



Velenosi Breccialoro Rosso Piceno Superiore Doc – Região: Marche/Itália.  Uvas: Montepulciano e Sangiovese. Um dos vinhos Doc mais interessantes da Itália Central.  Estágio de 8 meses em barrica de carvalho. Cor: rubi com reflexos granada. Perfumes complexos com notas de baunilha. Potente, bom corpo. Sabor persistente, consistência carnosa da fruta, quente e harmônico. Ao mesmo tempo distinto e carismático. Boa guarda.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Como Harmonizar Bacalhau e Vinho

A quaresma está aí e muitas pessoas aproveitam para preparar bacalhau, o prato oficial da Páscoa. É quase irresistível reunir a família em torno de uma deliciosa receita dessa iguaria. E um bom prato pede sempre um bom vinho. Uma combinação bem feita vai realçar as sensações. A sinergia é a parte mais sofisticada da harmonização, mas quando conseguimos alcançá-la, a comida fica ainda mais saborosa e o vinho mais gostoso. Todos saem ganhando.
A harmonização de bacalhau é controversa, mas em princípio, aceita vinhos brancos, rosés e tintos, desde que bem escolhidos. Uma dica para não errar é respeitar alguns dos princípios da adaptação cruzada: o sabor salgado acentua o amargor, assim, sal e tanino são antagônicos. Por isso, fuja dos tintos muito jovens e tânicos. Respeitando essa regrinha, a escolha será uma questão de preferência. A minha é pelos brancos encorpados e com passagem pela madeira, principalmente se for para acompanhar bacalhau em postas largas, regado com azeite e acompanhado de batatas.  Sugestão: Apollonio Laicale, fermentado em carvalho e envelhecido 12 meses em barricas francesas. Cor de palha amarela com reflexos dourados. Encorpado, com aroma frutado e delicado; sabor diferenciado com toques de especiarias e baunilha. Vinho branco com alma de tinto!
Caso você prefira os tintos, opte por vinhos mais macios, sem taninos, para evitar que o resultado seja um gosto metalizado. Uma boa opção são os produzidos com a uva pinot noir. Sugestão: Lamblin Côte de Beaune Villages.
A forma de preparo do bacalhau tem grande influência na harmonização: sugiro algumas a seguir. Encontre a sua favorita e aproveite. A brandade fica deliciosa com vinhos mais frutados e pouco tânicos, como os resultantes da combinação de uvas syrah e grenache do Languedoc. Procure exemplares que sejam mais frutados e macios. Se quiser dar uma sofisticada na receita, use azeite trufado na finalização: nesse caso, um Barbera d’Alba aromático, elegante e bem equilibrado, é irresistível. Sugestão: La Ca Növa Barbera d'Alba, vinho encantador, bastante aromático, de belo estilo frutado com ameixa, cereja, toques minerais e delicado floral. Taninos macios, muito elegante e equilibrado.
Bacalhau desfiado também fica muito gostoso com tintos macios: aproveite para harmonizar com os portugueses. Os do Dão são ótimas opções, assim como os do Douro não reserva, mas lembre-se: sem taninos marcantes. Sugestão: Quinta do Tedo Douro 2007, vinho artesanal feito com as uvas touriga nacional, tinta roriz e touriga franca. Com vinificação no tradicional lagar com pisa a pé, passa 12 meses em barricas de carvalho francês com um ano de uso. De cor violeta profunda, tem boa complexidade aromática. No nariz, apresenta amora, groselha preta, baunilha, pão tostado e casca de laranja e, na boca, é equilibrado, com bom corpo e boa densidade, maduro e frutado, com final longo e persistente.

Bacalhau com natas fica maravilhoso com um branco equilibrado, intenso, fresco, crocante, gordo, mas com certa mineralidade. Uma madeira discreta cai bem. Para quem quer uma opção mais refinada, sugestão: Velenosi Rêve, vinho de grande estrutura e voluptuosidade, penetrante e muito persistente. Para quem prefere um vinho branco reserva, o estágio em barricas de carvalho confere mais untuosidade ao vinho, deixando-o mais gordo na boca e com leve tostado. Sugestões: Camplazens Viognier. fermentação em tonel de carvalho com estágio de 6 meses Na boca: redondo e denso com notas de damasco, pêssego e raspa de laranja. Um branco com charme e caráter. 


Esta matéria que eu escrevi foi publicada no Estado de Minas neste domingo 18/03, mas não resisti e acrescentei outras opções de vinho para aumentar a possibilidade de escolha. Tenho certeza que cada um vai encontrar uma opção que agrade ao seu paladar. Aproveitem, saúde e bom apetite!!
Luiza Martini

sexta-feira, 8 de julho de 2011

A Madeira e o Vinho

Qual a influência da madeira no vinho? Qual a melhor madeira para produção de barricas? Todos os vinhos deveriam envelhecer em carvalho?
Estas são perguntas cada vez mais freqüentes. E as respostas nem sempre são as mesmas. Apesar de o carvalho ser a melhor madeira para a produção de barricas, a resposta não é tão simples, pois existem diferentes tipos de carvalho, cada um com suas características. Os mais usados são: o francês de poros mais finos, aromático e mais rico em taninos; e o americano, mais poroso, mais adocicado e deixa um gosto mais acentuado de baunilha.
Como regra prática, um vinho precisa de mais estrutura para agüentar um envelhecimento em barricas. Este processo permite também um micro-oxigenação que vai ajudar a abrandar os taninos provenientes da uva e acrescentar taninos mais “doces” provenientes do carvalho.
Colocar lascas ou ripas de carvalho nos tanques de aço inoxidável é completamente diferente. Este processo apenas transmite aromas, não tendo os efeitos secundários e positivos da maturação em barricas. É um processo mais barato e bastante utilizado, principalmente no novo mundo.
Não existe receita de qual carvalho deve ser usado ou de quanto tempo um vinho deve estagiar em barricas. É uma questão de escolha do enólogo e vai depender do seu vinho e do resultado que ele deseja atingir. As possibilidades são muitas e os resultados também.  

 
D’Angelo Vigna Caselle Riserva  2003 Doc 
Região: Basilicata/Itália Uvas: 100% Aglianico. 2 anos em tonéis grandes. Cor rubi intenso e brilhante, nariz complexo e profundo com aromas de cereja e marasca que se fundem com fragrâncias mediterrâneas, alcaçuz e complexos tons minerais. Na boca, quente, envolvente, taninos elegantíssimos, quase austero mas, sobretudo elegante, aveludado, extraordinariamente persistent”. Excepcional harmonia com o passar dos anos, longa guarda: 10 a 15 anos.

sábado, 1 de agosto de 2009

Um atentado contra a cultura


Ontem foi publicado no Terra um artigo da jornalista Vera Gonçalves de Araújo sobre uma "disputa" política sobre a venda de vinhos em certos estabelecimentos. O que queremos trazer aqui não é apenas o conceito de fast food dos italianos (que, cá pra nós, não tem nada a ver com o nosso), mas, principalmente, o estrago que uma decisão política pode fazer em uma cultura tão fantástica quanto à italiana. Vejam o texto:


A tripa é de esquerda ou de direita?

O novo prefeito de Florença, Matteo Renzi, tem 34 anos e está inaugurando a sua administração com uma batalha de desobediência civil para defender uma das tradições mais antigas da cidade: o sanduiche de tripa com copo de vinho que é a refeição típica do "fast food" florentino.

O "lampredotto" - um sanduiche de tripa e pão - sobreviveu a todas as campanhas contra o colesterol, contra a obesidade e até à vaca louca, mas pode sucumbir diante da proibição de beber álcool nas ruas da Europa.

Desde que o ministério da Saúde italiano decidiu aplicar as regras decididas em Bruxelas para conter a exuberância dos "hooligans" do continente, famosos por seus pileques homéricos antes, durante e depois dos jogos de futebol, os 200 "trippai" de Florença correm o risco de uma multa de 12 mil euros se venderem um copo de vinho junto com os seus sanduiches muito pouco light. Depois de meia-noite, a multa chega a 30 mil euros.

Segundo os defensores do "lampredotto", não é possivel comer o sanduíche sem um gole de vinho tinto, preferivelmente Chianti, que facilita a ingestão e a digestão do prato. O prefeito, apesar de jovem, se declarou tradicionalista: "esta lei é uma desgraça que precisa ser abolida" - explicou Renzi, eleito pela centro-esquerda. E ameaçou expulsar da bancada do governo os vereadores que decidirem apoiar a medida contra o "gottino", o copo de vinho que acompanha a tripa.

Em várias cidades italianas, como Milão, as prefeituras estão baixando portarias contra a venda de bebidas alcoólicas a menores de idade. Nas rodovias, os bares e restaurantes estão proibidos de vender álcool depois da meia noite. Mas Matteo Renzi frisa que a sua luta contra a "lei burra" de Bruxelas não é a favor do álcool, mas simplesmente em defesa de uma antiga tradição que tem raízes na Idade Média, quando Florença era independente e feliz.

Renzi ganhou as eleições se apresentando como candidato de uma esquerda mais moderna e menos rançosa do que a tradicional "sinistra" italiana. Em sua campanha vitoriosa, usou a internet com inteligência incomum para um político italiano. Mas agora se apresenta como defensor da tripa à florentina. O seu adversário de direita, o ex-goleiro Giovanni Galli, ainda não se manifestou a respeito do assunto.


Fonte: Terra

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O ritual da degustação

Como prometido há dois dias, hoje falaremos sobre as etapas de uma degustação de vinhos. O mais importante de tudo que vamos falar é que essas atividades são um treinamento para os nossos sentidos e, quanto mais estimulados, mais entendimento do vinho você terá.

Envolve quatro atividades:
- Observação – usando os sentidos para perceber, identificar e mesurar os estímulos.
- Descrição – usar seu vocabulário para revelar as características do vinho.
- Comparação – comparar com vinhos de tipo semelhante usando como referência.
- Avaliação – Sintetizar todas as informações para julgar a qualidade do vinho.

Pode-se imaginar que os experts têm sentidos mais apurados, mas, na realidade, não tem. Nós nascemos com um número fixo de papilas gustativas e receptores sensitivos e é impossível multiplica-los. Poucos são super dotados – supertasters.

Você pode desenvolver a habilidade de decodificar as mensagens gustativas, aprendendo como seus sentidos trabalham e prestando atenção neles durante uma degustação. Além disso, um expert deve desenvolver uma metodologia, um vocabulário e um trabalho para avaliar, descrever e categorizar o vinho.

Vejamos como estes conhecimentos são aplicados na prática:
Ver um expert provando uma série de vinhos é instigante – Levanta a taça, inclina e olha. Gira e cheira. Prova (pequeno gole) e aspira (fazendo um ruído shiii...). Pausa. Cospe. Cheira, prova e cospe de novo. Anota informações da degustação e repete com o próximo vinho.

Quando você examina dois vinhos, também necessita comparar suas características: cor, corpo, final etc. A repetição das etapas ajuda a colecionar dados de cada vinho. Se você vê um especialista degustando, notará:
- quatro sentidos são usados: visão, olfato, gosto e tato. A metodologia do expert utiliza os sentidos ao ver, cheirar, provar (gole) e resumir a experiência além de seu cérebro.
- gira-se muito o vinho na taça pois seus aromas estão presos no líquido, dificultando sua percepção. Ao girar o vinho, você está ampliando a superfície e propiciando maior evaporação do álcool. A evaporação expande os aromas no ar onde seu nariz pode capta-los. Como os aromas representam 75% do caráter e da qualidade de um vinho, aprimorar seu olfato é essencial.
- São dois os objetivos para girar e movimentar o vinho na sua boca Primeiro, leva o vinho ao contato com as papilas gustativas que estão dispersas em sua língua, seu palato e sua garganta. Segundo, movimentar o vinho em sua boca é semelhante a girar o vinho na taça, a evaporação leva os aromas à passagem nasal que conecta seu nariz com a boca. Os sentidos colhidos através da boca são sabores e os que entram na passagem retronasal são aromas. Assim você pode qualificar como “cheirar” o vinho quando está em sua boca.
- o expert cospe o vinho. Assim mantém o cérebro livre do “fogo” de forma a apreciar com mais propriedade. Você pode praticar cuspindo na pia da cozinha.
- há uma pausa depois da primeira prova em torno de 15 segundos ou algumas respiradas, dando tempo para se formar uma imagem do vinho degustado. Também ajuda a relembrar. Imagine esta etapa como uma “gestalt”.
- Não se escreve nada depois do primeiro gole. Seu cérebro depois da cheirar e provar está sintonizado na área sensorial. Logo que você começa a verbalizar suas impressões, seu cérebro troca a sintonia para a área intelectual, dificultando detectar os estímulos adicionais.
- Não se fala, pois os comentários podem influenciar percepções. Quando um companheiro descreve um vinho como tânico antes de você formar sua opinião, estará mais inclinado a experimentar o vinho como tânico.

O que pode parecer complexo e complicado para a maioria nada mais é do que uma metodologia para conhecer profundamente o vinho que está sendo degustado. É o treinamento, a disciplina e a frequência que irão ajudar o amante do vinho ou o expert. Como dissemos anteriormente, o prazer em beber o vinho tem que estar sempre em primeiro lugar!

terça-feira, 21 de julho de 2009

Prazer em primeiro lugar


Já falamos sobre harmonização, mas não poderíamos deixar de falar sobre a degustação do vinho. Antes de começarmos a entrar a fundo no assunto, é preciso lembrar que, antes de tudo, é preciso ter prazer em beber vinho.

Pode-se viver informalmente ou mergulhar fundo no que desperta maior prazer. Se você tem um interesse especial por um determinado esporte, você vibra a cada lance. O mesmo acontece em diversas atividades - pode-se cozinhar, tocar um instrumento, cuidar de plantas. As coisas que você gosta não precisam ser vitais, mas elas fazem a vida mais rica. Aí que o prazer está envolvido e é dessa forma que o amante do vinho aprende a degustar.

Há três diferentes abordagens para provar um vinho:
Primeira: puro prazer – Você encontra um vinho que gosta e compartilha com boa companhia e uma deliciosa comida. É prazer e divertimento.
Segunda: expert (enólogo) – Você examina o vinho. Identifica, descreve e avalia suas características e as relaciona com suas origens. Isto é ciência e exige muito trabalho, esforço e anos de estudo.
Terceira: connoisseur (enófilo) – Você se interessa pelo vinho pelos dois motivos: prazer e conhecimento. Não é mais fácil que a abordagem do expert, mas não conduz à esnobação ou à pretensão. Ela envolve verdadeira apreciação. Você treina seu palato e seu cérebro enquanto se delicia com cada pequeno gole.

Alguns dos grandes prazeres acontecem a partir de suas conexões:
- conexões com pessoas: Preste atenção em como as pessoas que gostam de vinho e comida são entusiasmadas! Como realmente eles se deliciam compartilhando uma “grande” garrafa ou um “belo” prato. Muitas amizades evoluem ou se aprofundam nas degustações.
- conexões com comida: comida e vinho têm tudo a ver. Depois de uma viagem pelas estradas tortuosas da Toscana, alguns amigos e eu fomos a um restaurante em Monterregione que não conhecíamos. A pasta feita em casa, amarelada por gemas, perfumada com ervas. O cordeiro de dar água na boca. E, os Supertoscanos, os Rosso e Brunello de Montalcino!
- conexão com os vinhedos: Quase sempre os vinhedos são localizados em belas áreas e é uma diversão visitá-los. Aliás, hoje, um grande nicho turístico. Você pode ter experiências fantásticas e saborear memoráveis vinhos.
- conexões com a história: Vintages relembram acontecimentos distantes: casamentos, nascimento de filho, mesmo guerra. A história do Brunello.

Em breve, falaremos aqui no blog as etapas da degustação do vinho e qual metodologia para avaliar cada rótulo.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Harmonização - parte 2

Continuando o assunto harmonização, depois de equilibrar peso do prato e corpo do vinho, chega a hora de equilibrar as sensações entre os dois. Quando se entende o princípio da adaptação cruzada, fica mais fácil harmonizar.

Algumas regras básicas:
- A doçura atenua a acidez, o amargor e o sabor salgado
- O sabor salgado acentua o amargor
- Sal e tanino não combinam
- Gordura ameniza a sensação ácida
- Acidez precisa ser igualada
- Taninos ajustam untuosidade e suculência

Com estes princípios em mente, é possível tanto escolher o vinho a partir da comida, quanto escolher a comida a partir do vinho. Ou seja, conhecendo os atributos de cada um, é possível equilibrar as sensações e estruturas.

Isso pode ser aplicado em outras sensações, como uma comida aromática pedirá um vinho também aromático e uma comida preparada com especiarias deve ser acompanhada de um vinho com intensidade e persistência olfativa.

Amanhã falaremos sobre realce do gosto da comida e do vinho através da harmonização.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

G-8 bebe Montepulciano d'Abruzzo


A conferência do G-8, em Áquila, na Itália, começou no dia 8 de julho. No primeiro dia, presidentes e líderes dos países mais ricos do mundo tiveram um almoço regado a um grande vinho da região: Zanna Montepulciano d'Abruzzo Colline Teramane DOCG.

O vinho escolhido não é um privilégio só deles. Nós somos a importadora exclusiva da vinícola Illuminati e contamos com este rótulo em nossas lojas. É um vinho 3 Bicchieri, no Gambero Rosso, que é a pontuação máxima no principal guia de vinhos da Itália.

Vale a pena experimentar!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Degustação vertical de Brunellos di Montalcino

Semana passada, realizamos uma degustação vertical de Brunellos di Montalcino, da vinícola italiana Mocali. A proprietária da vinícola, Alessandra Ciacci, conduziu a degustação. Abrimos garrafas das safras de 94, 95, 96, 97 e 99. Isto só foi possível porque sempre guardamos algumas garrafas de cada safra dos nossos principais vinhos.



Nenhum deles está à venda. Então, como bem lembrou Alessandra, esta foi uma oportunidade única para os 20 enófilos convidados, que puderam avaliar a evolução de cada safra.

Para iniciar nosso encontro, servimos primeiro o Champagne Pierre Gimonet 1er Cru Cuis. Depois, começamos a degustação dos Brunellos, na ordem crescente - do mais novo ao mais velho.

Foi uma noite muito agradável, onde todos tiveram a oportunidade de trocar ideias e percepções, além de ouvir da própria produtora informações a respeito dos vinhos, da vinícola e do processo de vinificação.

As fotos da degustação estão em nosso Flickr, no álbum da Degustação Mocali.

Agradecemos a presença dos nossos convidados, inclusive ao Christovão de Oliveira Junior, que escreveu uma resenha no Belo Vinho.

sábado, 4 de julho de 2009

Fotos da Vinhofest

O Vinhofest 2009 chega ao fim hoje. Ontem o evento ficou lotado e nosso estande foi um dos mais concorridos.

Fizemos uma brincadeira com os convidados, onde abrimos uma garrafa para degustação às cegas. Cada um poderia provar o vinho apenas uma vez e tinha que advinhar o maior número de informações (uva, país, ano etc.). Quem fizesse maior número de pontos ganhava uma garrafa do vinho. Foi sucesso total!

Hoje estamos inaugurando nosso canal no Flickr, com as fotos do estande da Casa do Vinho no evento: http://www.flickr.com/photos/casadovinho.

Abaixo uma das fotos para verem como estava lotado!


Quem ainda não foi em nenhum dia da Vinhofest, não deixem de ir e de nos visitar!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Casa do Vinho na mídia

Ontem começou o Vinhofest. De acordo com os organizadores, cerca de 400 pessoas - entre especialistas, donos de restaurantes e imprensa - passaram por lá. Hoje e amanhã o evento continua, porém, agora aberto para público geral e apreciadores.

Em breve, postaremos as fotos!

Boa notícia é que hoje saiu uma notícia sobre o mercado de vinhos em Belo Horizonte, no caderno de economia do Jornal O Tempo (matéria da jornalista Ana Paula Pedrosa).

Para ler a notícia no portal, clique aqui.